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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

capítulo V. o amigo

juiz de fora

Parecia um personagem de livro. De fillme não, porque a graça seria imaginar tudo, não ver. Também porque um personagem de filme é muito óbvio e, sem querer, limita a nossa visão de muitas coisas que têm graça e que importam, justamente porque estão mais além. Parecia tão tranquilo, sossegado, mas de uma presença notável, exatamente por ser (ou parecer) tão alheio. Cada detalhe dizia um pouco do jeito que, pra mim, não é melhor descrito do que pelo adjetivo casmurro... e que, pela definição do próprio Bentinho, é "um homem calado e metido consigo". Também tinha um ar de tristeza que depois veria que faz parte,;uma introspecção que tem seu espaço. Um andar que parece ignorar o resto das pessoas. A barba grande e a sobrancelha grossa, ambas escondendo o rosto e a expressão, escondendo o sorriso, escondendo os pensamentos tão... heterodoxos (?).
Tudo (me pareceu) milimetricamente calculado: a barba envelhecendo e dando a aparência de homem arredio, e o olhar fundo, escondido pela sobrancelha, dando um ar de cansado. Tudo queria dizer alguma coisa, mesmo que não fosse pensado por ele.
É dessas pessoas que a cada gargalhada que deixa escapar, a gente vibra, por estar conseguindo arrancar isso de alguma forma. E claro que o amigo precisaria estar bem e à vontade, porque sem hesitar, disse "sim" ao receber o convite de viajar e, sempre sem hesitar, é amigo.
Pareceu uma pessoa mal-humorada, né? Mas não, o segundo adjetivo que pra mim mais combinou foi dócil, no melhor sentido possível.
Claro que tudo aqui são apenas especulações, pois seria difícil descrever alguém aparentemente tão misterioso. Pra mim é um legítimo Dom Casmurro.


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