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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

capítulo VI . o pinho (ou o outro amigo)

juiz de fora


Esse sim parecia complementá-lo. Tudo o que queria dizer e que sentia, era passível de se tornar letra, música, melodia. E se pudesse, sei que andaria com ele nas costas onde quer que fosse. Tanta coisa vivida juntos, todo amadurecimento. No fim sempre restava ele e o violão, a sós, no quarto ou nos fundos da casa. E tão logo teve oportunidade, já começou me dizendo que fui a fim de azucrinar-lhe o juízo e a fim de lhe carregar. E eu, que não peço quase nada e ganho tudo, só queria carregá-lo mesmo. Fascinante a capacidade de fazer música e a intimidade. Nem houve tanto tempo assim para o violão, mas ele teve seu breve espaço e marcou. Digo isso porque -eu sei!- um homem munido de um violão pode arrepiar uma mulher, sem sequer tocá-la, ele é capaz de muitas coisas, todas bem pequenininhas, que eu ainda pretendo dizer aqui. Nesse dia eu nem imaginava, mas esse mesmo violão ainda seria protagonista de um dos momentos mais comoventes da minha vida, se não o mais comovente.



3 comentários:

filipe ferreira disse...

muito bons os textos. Acho que de fato você encontrou um estilo apesard saber que você vai além disso que já é muito bom, mesmo. É tudo muito fácil de ler, como se fosse o mais natural possível. Parabéns e obrigado também. hehehe

holandazé disse...

...o amigo, o violão.
solto, junto... enquanto dava, e sempre dava, lá, o violão, de certo o meu violão, a vida, as coisas...simples e o violão.

José.

Taisinha disse...

Não se iluda! A culpa desse momento não é do violão... Não é da musica... A culpa é do roteiro bem escrito, da hora certa de entrar em cena, da perfeita escolha dos personagens! O violão só consegue emocionar de verdade quando ele é somente o veículo por onde a emoção sai. Ele não inventa sentimento, ele transporta!

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