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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

capítulo VII . o bom

juiz de fora


É preciso estar preparado para tanto e não se pode aceitar um desafio por pura vaidade de querer provar que se é capaz. Mas aceita-se. Mesmo sem saber, aceita-se. As consequências variam de pessoa para pessoa. Algumas estão acostumadas com tanta intensidade, outras mal conseguem disfarçar a falta de costume. E desse jeito vive-se.
Foi assim comigo, tudo de uma vez, mas a escolha foi minha.
Era quente, intenso e provocava calafrios. Um paradoxo perfeito de percepções.
Esquentava... era inebriante, porque fazia pensar em tanta coisa, fazia imaginar situções, visualizar coisas em um futuro um tanto quanto distante.. e eram coisas lindas, gostosas, que não havia de ser possível, só podia ser muito bom mesmo pra ser verdade. "Tanto clichê, deve não ser." Sensações diferentes, nunca experimentadas antes, mas sempre conhecidas de livros, músicas e conhecidos.. Era isso que fazia sentir. E esquentaria mesmo qualquer momento, qualquer hora, qualquer coração, qualquer estômago. Fazia sentir calor, sentir amor, sentir mais calor, depois mais amor. Depois amor com calor. Dava vontade de só ser feliz e pronto. Ele trouxe consigo, com muito zelo e orgulho, o cuidado era pra não quebrar, porque apesar de forte, vinha dentro de vidro. Essas coisas precisam de muito cuidado, não se pode desperdiçar, é até pecado fazer isso, gente! Mas cuidado mesmo, mais ainda, carece é quando entorna: qualquer faísca e já pega fogo em tudo. E pegava mesmo! Era tão poderoso, que podia matar a gente, podia embriagar a gente, podia só deixar feliz, alegre, ou então fazer chorar... Isso também varia de pessoa para pessoa. Eu fechava os olhos e pouco depois abria, sem acreditar.
A cachaça era Boazinha, exatamente como ele.




3 comentários:

Camila disse...

eu li.

Márcia Costanti disse...

Um dia eu vou ganhar um autógrafo nessa história encadernada néam! =D

Anonymous disse...

Muito BOM!

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"Tem horas que é caco de vidro,
meses que é feito um grito,
tem horas que eu nem duvido,
tem dias que eu acredito."
Paulo Leminski

 
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A obra Resíduo Final de Anna Flávia Horta foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Proibição de Obras Derivadas 3.0 Brasil.
Com base na obra disponível em residuofinal.com

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