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quem?

 

ilusões cotidianas

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A: Moça estilosa, você tem um minutinho pra mim?
B: Não posso, tenho ônibus com horário marcado.

Ele acreditou? Não sei. Mas se conformou e com um sorriso que me pareceu bem verdadeiro, agradeceu e ficou pra trás. É isso que fazemos sempre: jogamos pequenas mentiras constantemente ao léu para qualquer pessoa iludida ou sem opção acreditar.
Nós mentimos muito para oferecer uma realidade mais confortável para algumas pessoas, mesmo que isso nem chegue a fazer diferença para elas. Muitas vezes para nos enganar, convencendo alguém do que queremos na verdade ser convencidos.
Na maioria das vezes quem recebe a mentira sabe que trata-se de uma mentira, mas ela é passada de uma forma tão preocupada em parecer verdade, que soa sincera. Seria tão mais fácil dizer "tenho um minuto, mas não quero dá-lo a você", mas nós não podemos ser sinceros sem parecermos grosseiros. E como eu poderia parecer grosseira com alguém que me agradou? É apenas a verdade, só deve-se respeitá-la, mas não. Pra quê floreá-la? Para que as coisas não pareçam tão ruins?
E nós, quando recebemos essa mentira tão sorridente, ou a transformamos automaticamente em verdade, ou fingimos acreditar (já acreditando mesmo). De qualquer forma, as duas posturas são de conformação. E nesses casos, não sei, acho que não se deve insistir, para não estragar o clima das coisas. Se o rapaz tivesse insistido, teria me irritado e ele ficaria também irritado, tenho certeza. Acho que algumas mentiras são tão ingênuas que merecem, sem que haja nenhum desgaste, ser respeitadas, até.
Às vezes acreditamos por pura teimosia, só pra quando a desilusão vier a gente poder dizer pra si mesmo: "- Mas eu sabia desde o início que não devia me iludir.". 
Como somos idiotas de achar que isso funciona; de achar que acreditar em mentiras bem vestidas nos livra de alguma coisa. 
Mas... talvez funcione, viu? 




3 comentários:

Thierre disse...

Mentiroso é aquele que diz que NUNCA mente, mas quem somos nós para julgar? Talvez a mentira mascarada acaba por se tornar verdade também ou pelo menos é bom acreditar nessa mentira que como você diz, dá a sensação de que nos livra de alguma coisa, né?
Acho que o que vale não é o fato de mentir ou não, mas sim quando ou com que intenções você o faz!

Nathalie Guimarães disse...

Como somos idiotas!
E eu acho que isso é uma crônica.

Marlise disse...

Se disser: "Não, obrigada!" acompanhado de um sorriso, basta!

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