Ir, sem querer ver onde o próximo passo vai pisar. Sentir um vento de fim de tarde e respirar fundo, concentrada naquela caminhada com destino final sabido, mas com os pequenos destinos de passos desconhecidos. Pequenos riscos cotidianos.
Fechou os olhos, em outra experiência dessas de caminhar de olhos fechados.
A caminhada de olhos fechados era mansa. Existia com medo, mas os passos eram firmes e qualquer tropeço seria rapidamente superado e a caminhada retomada. Eram passos confiantes. Antes de fechar os olhos analisou o caminho a ser percorrido. Não haviam muitos obstáculos (havia uma lombada). Uma vez de olhos fechados, eles poderiam surgir. Acreditou que não surgiriam e foi, quase livre.
Como se quisesse inspirar o asfalto do chão, respirava profundamente, sem violência, e pendia a cabeça para trás, como se olhasse o céu - e olhava, porém, de olhos fechados. Não tropeçou, andou pouco. Mas de olhos abertos e atentos já havia tropeçado inúmeras vezes.O percurso cego de olho foi breve, pois ainda era experimental. É que em alguns momentinhos, alguns passos precisam ser dados assim, pelo desconhecido; alguns riscos precisam ser corridos para que o viver seja merecido. Mas não se pode esquecer os olhos fechados, senão fica-se cego pra sempre (e nem percebe-se).

2 comentários:
tbm quero experimentar dar passos sem ver os riscos, talvez assim eles nem existam
mas vc tem razão, mta gent se esqce de enxergar de novo o caminho e abrir os olhos =/
gostei mto do blog
bjos =**
Talvez eu esteja cega, é o que ando sentindo... Tô procurando abrir os olhos antes que seja tarde.
Enfim, adorei o texto!
Beijos ;*
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